26/01/2016

Entrevista: Gislaine Oliveira

Como leitora e especialmente como escritora, tenho inúmeras curiosidades a respeito de como se dá a inspiração e tudo o mais que envolve o ofício dos escritores. Quando conheço alguém que é escritor, eu gostaria de fazer mil perguntas a eles e assim descobrir até que ponto nós somos diferentes, ou se isso é possível. Para começar minha maratona de curiosidades escolhi nada menos do que a Gislaine Oliveira para eu torturar.


Gislaine Oliveira é blogueira, escritora, colunista, apresentadora de um programa de entrevistas e estudante de Letras e Literatura. Uma leitora cheia de livros na estante e de livros para escrever. Ela sempre gostou de escrever, mas nunca achou que ser escritor daria certo. Fez técnico em química e antes da formatura resolveu fazer o que realmente gostava. Se dedicar às palavras.
E.L: Alguns leitores são categóricos ao afirmar que leem para fugir do mundo comum. Enquanto escritor, você escreve para escapar da realidade ou sua principal motivação ao escrever é justamente retratá-la?
G.O: Escrevo por tantos motivos =D Mas através da escrita tento entender as coisas que estão acontecendo na minha vida. Fica mais fácil encontrar uma solução para um problema, por exemplo, quando você o vê de fora. Às vezes é mais fácil se colocar no lugar do personagem do que no lugar do colega. Consigo entender melhor certas coisas enquanto escrevo. E desejo que meus leitores sintam o mesmo enquanto leem.

E.L: Qual o impulso, ou evento ou inspiração, que te fez contar sua primeira história?
G.O: Eu conto histórias desde sempre. E as escrevo faz muito, muito tempo. Então não sei qual foi a primeira história que criei. Então vou falar sobre o meu primeiro livro concluído (Os Sonhos de Rita) pode ser? Tinha acabado um namoro de alguns anos e estava triste, confusa e perdida. Então comecei a escrever. E aquilo me ajudou muito. Comecei a ver as coisas de uma forma diferente. Será que estava tudo perdido? Será que ele era um namorado tão bom assim? Será que eu estava correta? No fim a história de Felipe e Rita de certa forma me salvou. Então pensei: “Eles podem salvar outros também.” E é sempre gratificante quando recebo algum comentário de um leitor falando sobre como aquela história mudou a forma como ele percebia a sua própria situação.

E.L: E o que te fez continuar escrevendo?
G.O: Eu tenho inúmeras coisas que ainda não entendi, que ainda não aceitei, que ainda não resolvi. E tenho inúmeras histórias na cabeça para contar. E vários leitores que ainda pretendo alcançar. É por tudo isso que continuo escrevendo. Por que existem livros que eu preciso ler, com palavras que outros leitores precisam ouvir, e nem todos foram escritos ainda.

E.L: O que é ser escritor pra você?
G.O: Ser escritor é ter mais ideias na cabeça do que conseguimos colocar no papel. É sonhar com um personagem. É imaginar uma história e decidir que o mundo precisa conhecê-la. E então imaginar outra e decidir que essa é ainda mais importante. É ficar ansioso esperando o feedback dos leitores. É roer todas as unhas se preocupando se suas palavras passaram o que você queria. É escrever mil vezes a mesma frase, com todas as formas imagináveis para logo depois descobrir que ela ainda não parece boa o bastante. É sorrir quando descobre que alguém está lendo seu livro. E dar pulinhos quando essa pessoa diz que adorou sua história. É pensar em desistir às vezes, mas abandonar a ideia logo depois, afinal tem uma fila de personagens esperando a sua vez.

obs: me emocionei aqui com a sua definição de escritor. (snif, snif)

E.L: Eu me pergunto se os escritores fazem alguma ideia da influência que eles exercem sobre os leitores com suas histórias. Você pensa sobre essa responsabilidade quando escreve seus livros?
G.O: Eu me pergunto o mesmo, Vivi. E eu penso nisso o tempo inteiro. Estou respondendo essa entrevista, escrevendo e reescrevendo várias e várias vezes só para ter certeza de que escolhi as palavras certas. Só para ter certeza de que não vou desmotivar, ofender ou influenciar negativamente alguém. As palavras são poderosas. E com os livros não seria diferente. Acredito muito que os livros possam mudar pessoas. Só precisamos trabalhar para que mudem de forma positiva.

E.L: Você escreveu os livros Justa Causa, Os Sonhos de Rita, mais dois contos e o livro Se eu Fosse a Cinderela que não foi publicado ainda. Sua cabeça fica cheia de histórias para contar, ou um enredo específico acontece uma vez ou outra? Como você decide contar uma determinada história?
G.O: A cabeça, os ouvidos do meu marido, o rascunho de mensagens do meu celular, minha agenda, o computador... estão todos cheios de histórias. E isso é muito bom. Mas também complicado. É como ter a estante cheia de livros para ler – sonho de quase todo leitor. Mas como decidir a próxima leitura? É então que um deles chama a sua atenção. Você nem estava tão empolgado assim para aquela leitura, mas aparentemente do nada, o livro te chama. E ele era exatamente o que você precisava ler. Para decidir qual será a próxima história que renderá uma crise de tendinite não é tão diferente assim. Os enredos estão todos ali, bem a sua frente, de repente um deles te atrai de tal forma que é impossível fugir.

E.L: Uma vez no seu blog, Profissão Escritor, eu li que você gosta de ler livros contendo o fator romântico (assim como eu!). É da mesma forma com seus livros? Você escreve histórias recompensando o romance (assim como eu!)?
G.O: Você é surtada como eu, Vivi. =D Sim, eu sou uma romântica incorrigível e acho que romance cai bem em quase toda história. Sou daquelas que vê romance até onde não tem. Shippo até a roda do carro com o cordão da calçada. E com as minhas histórias não seria diferente. Mas tanto na leitura, quanto na escrita procuro ir além do romance. Procuro ler e escrever nas entrelinhas. Perceber e escrever histórias paralelas. 

E.L: Existe um horário que você goste mais para escrever? 
G.O: Que meu chefe não leia essa entrevista, mas o horário que mais gosto de escrever é quando estou no trabalho. Não façam isso! Alguns personagens adoram aparecer nos momentos mais inoportunos. E não saem de perto até você dar a eles a devida atenção. 

obs: ahh, o que será que tem no trabalho que nos fazem escrever mais produtivamente? haha. Tenho que dizer que 95% do meu recente livro foi escrito no meu trabalho.

E.L: Você empresta sua personalidade para seus personagens? Isso pode soar louco, mas ainda sendo você a criadora, é possível aprender com a criação? 
G.O: Minhas protagonistas sempre são pedaços de mim. Nenhuma é uma cópia fiel, pois como li em algum lugar uma vez “Seus personagens devem ser reais o bastante, mas não reais demais.” Mas é possível me conhecer bastante apenas analisando minhas meninas. E como citei acima, sim, eu aprendo muito com as minhas próprias histórias. Os problemas parecem mais simples quando você sabe que um personagem conseguiu superá-lo. Se ele conseguiu, você também pode, não é mesmo? Lidar com as diferenças fica mais fácil quando você escreve sobre elas. Seus conceitos, crenças e valores ganham novas formas quando elas acabam dentro de uma história. 

E.L: Quem é Gislaine Oliveira por trás das redes sociais? 
G.O: Chorona igual a Rita, teimosa igual a Deia, implicante como a Cinddy, indecisa como a Mel, insegura como Ju... * Mas cá entre nós, eu sou exatamente assim nas redes sociais ;) Vivi, quero agradecer de todo o coração por essa entrevista. Adorei as perguntas e me diverti muito enquanto respondia. Você é uma autora que eu admiro muito e desejo a você todo o sucesso do mundo. Muitas histórias na cabeça e também no papel. Obrigada a todos os leitores que acompanharam essa entrevista. Sintam-se todos abraçados, beijados e shippados por mim.

Gislaine Oliveira

*Rita de Os Sonhos de Rita, Déia de Justa Causa, Cinddy de Se Eu Fosse A Cinderela, Mel de Excesso de Amor e Ju de Ju Gu.

Awnn, Gi, eu que agradeço por aceitar essa entrevista, por ser minha colega escritora, pelo carinho e por me receber desde o começo. Adorei fazer essa entrevista com você. Enfim, com suas respostas só retifiquei o que eu já sabia: você é um exemplo de escritora!

7 comentários:

  1. Oi, Sil!
    Amei a entrevista com a Gih.
    Eu acompanho o blog dela tem um tempo, mas, infelizmente, ainda não li nenhuma das suas obras.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  2. Oi Vivi, gostei de saber sobre o posicionamente da autora diante de suas histórias, a forma como ela as utiliza para se compreender melhor faz todo o sentido, já que como escritora (fail) tbm me coloco muito nos meus personagens para me compreender. Adorei a entrevista e saber mais como a autora se mostra através deles

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  3. Olá, nossa amei a entrevista. Me identifiquei bastante, pois eu tenho a escrita como um hobbie, fique super curiosa para ler o livro.
    Beijos :)
    http://mficticio.blogspot.com.br/?m=0

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  4. Adorei a entrevista!
    Beijos
    www.somosvisiveiseinfinitos.com.br

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  5. Oii Sil

    Entrevista ótima, amei a originalidade das perguntas. Nunca tinha parado para pensar que às vezes ao ler estamos em certa parte fugindo um pouco do mundo comum, e meu Deus, isso é tao certo. A sensação de "entrar na história" é que nos faz amar ler mais e mais.
    Não conhecia a Gislaine, achei ótimo a ideia de divulgar a autora, muito legal esse espaço dado aos novos talentos da literatura

    Beijokas

    naprateleiradealice.blogspot.com.ar

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  6. Awon Vivi <3 Muito obrigada mais uma vez. Obrigada pela oportunidade, pelo carinho, por tudo. Adorei responder cada uma das perguntas. E fico muito feliz que os leitores aqui do blog tenham curtido ler a entrevista ( e eu sei que escrevi demais heheh).
    E amei seus comentários. Hahha, não sei o que há no serviço que nos torna mais produtivos, mas não podemos acabar com isso hahhaha.
    Um beijão
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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  7. Oi Viviane.
    Excelente entrevista. Deu para conhecermos um pouco mais da Gislaine. Eu acompanho o blog dela e se ela for uma escritora tão boa quanto é blogueira, tenho certeza que os livros dela são maravilhosos ;)
    Abraços.

    Minhas Impressões

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