07/04/2016

Dúbio.

Quem me dera
Poder visitar as lembranças
Além da insincera realidade
Que minha mente traz
Nos espelhos dos meus olhos.

Cada vez que volto
Uma parte se esvai,
E outra é criada a partir do nada.
Até que por fim,
O que resta é imaginação,
E não mais recordação.

Então, quem me dera,
Não esquecer
O cheiro
Que trazia no pescoço,
Ou cada peça de roupa
Que caia do seu corpo.

Recordar também é
Deixar morrer,
Cada pedaço verdadeiro
Que existiu.

Para suprir com um novo gosto
Um amor que nunca
Deveria ter deixado de existir.

Mas,
Quem me dera ter razão,
E não saber
Que nem sempre
Substituímos
Para deixar vivo.
E sim para aprendermos
Que é melhor viver sem.

Pois são dúbios
Os corpos e os rumos.
E não são de todo mal
As saudades
Que nós abandonamos.

Esquecer é respirar
Novas lembranças.

3 comentários:

  1. Uoou que poema destruidor em moço, parabéns.

    www.tecontopoesia.com

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  2. Oie Leandro =)

    Arrasou no poema.
    Lindo *---* Parabéns!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  3. Nossa que demais.... Adorei! Parabéns!

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