01/02/2017

Resenha: Neuromancer


Título: Neuromancer
Autor(a): William Gibson
Editora: Aleph
Páginas: 304

Um hacker renegado, uma samurai das ruas, um fantasma de computador, um terrorista psíquico e um rastafari orbital num thriller sexy, violento e intrigante. De Tóquio a Istambul, das estações espaciais ao não-espaço da realidade virtual, o tenso jogo final da humanidade contra as Inteligências Artificiais…
Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o primeiro – e ainda hoje o mais famoso – livro de William Gibson. É considerado não só o romance que deu origem ao gênero cyberpunk, mas também o seu melhor representante. Edição especial com nova tradução, nova capa e projeto gráfico, novo prefácio e notas explicativas.

Tá sendo bem difícil começar essa resenha. Eu poderia fazer como tantas outras e explicar a premissa da história, mas isso foge completamente do padrão que eu sigo nas minhas resenhas e provavelmente ficaria aqui mais para encher linguiça do que outra coisa. Porque digo isso? Bom, Neuromancer com toda certeza do mundo não é um livro fácil de ler e de compreender e acredito que principalmente para uma leitora como eu que não está habituada com o gênero ficção cientifica na literatura. Digo tudo isso não para justificar que eu achei o livro ruim ou algo assim, mas talvez para justificar o porque da minha resenha ser… estranha, ou até mesmo não satisfatória.

Neuromancer é o tipo de livro não me cativou ou me deixou presa em seu universo e curiosa pelos próximos acontecimentos mas ao mesmo tempo foi um livro que despertou a minha curiosidade para o desconhecido. Eu sei, contraditório; mas mesmo que eu faça parte de uma geração sortuda com acesso a tecnologia, realidade virtual e inteligencia artificial ainda assim senti uma curiosidade para o que o autor iria mostrar no que diz respeito a realidade virtual que livro mostra ao leitor. Sei que muitos já assistiram Matrix e sim o livro se assemelha em alguns aspectos com o filme e acredito que no fim das contas foi essa relação que me ajudou a entender um pouco mais o que Gibson estava descrevendo ali, já que por muitas vezes achei a narrativa confusa, tensa e lenta chegando até mesmo à voltar algumas sentenças ou páginas para sacar o que diabos o personagem estava fazendo em tal lugar, o de onde surgiu outro personagem… Achei que eu era a unica com essa impressão mas após ler alguns comentários por ai percebi que foi a dificuldade que alguns leitores também tiveram.


Durante a leitura eu me senti desconectada da obra e principalmente de seus personagens. Por mais que algumas descrições sobre Case e Molly fossem feitas todas eram bastante superficiais e estavam ali apenas para que o leitor os conhecessem mas que não sentissem empatia, simpatia e até mesmo carinho por eles. Eu sou o tipo de leitora que gosta de se apegar aos personagens e por isso achei essa frieza que o autor impôs muito dolorida para mim. Entretanto eu não posso negar que essa característica deixa a obra também interessante, pois ela parece retratar de uma forma real o então universo criado para o livro. Por mais que Case tenha tido um relacionamento com Linda e que esse amor lhe assombre por diversos momentos da obra, ainda assim podemos perceber que não era algo realmente profundo; Assim como amizades entre outros personagens e por muitas vezes até lealdade. O clima era muito mais cada um por si, por mais que todos estivessem juntos com um mesmo proposito. Eu realmente não sei se é algo que o autor quis passar para os leitores ou se foi algo que eu acabei sentindo e não curtindo. Mas de qualquer forma eu acho que é um aspecto que combine com a obra em si de um modo geral.

O fato inegável é que o livro é um clássico e segundo o que dizem por aí o primeiro de um subgênero da ficção cientifica: cyberpunk (e entendendo um pouco mais do cyberpunk da até para compreender alguns aspectos da obra); além da obra receber três importantes prêmios da ficção científica: Nebula, Hugo e Philip K. Dick. É bom lembrar que quando se trata de literatura (assim como outras manifestações artísticas) tudo depende de pontos de vista e gosto pessoal. Para mim a primeira leitura de Neuromancer funcionou dessa forma; quem sabe quando eu reler daqui uns dois ou três anos tenha uma visão diferente e possa compartilhar novamente minhas impressões. De qualquer forma, a leitura do livro vale a pena ser feita mesmo que você não tenha costume de ler ficção cientifica.

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