01/05/2017

Resenha: Depois da Fotografia


Título: Depois da Fotografia: uma literatura fora de si
Autor(a): Natália Brizuela
Editora: Rocco
Páginas: 256

Com o surgimento da fotografia, a arte, a literatura e todos os demais meios de expressão nunca mais foram os mesmos. É isso o que mostra a pesquisadora e crítica literária argentina Natalia Brizuela em Depois da fotografia – Uma literatura fora de si, mais um volume da coleção Entrecríticas, espaço de reflexão sobre a literatura em suas conexões com outras práticas artísticas, organizada por Paloma Vidal. Os mexicanos Mario Bellatin e Juan Rulfo, o argentino Julio Cortázar e os brasileiros Bernardo Carvalho e Nuno Ramos estão no centro das reflexões propostas com brilhantismo pela autora acerca da relação entre fotografia e literatura.

Não sei se já mencionei aqui, mas titia Sil é fotografa por formação (atualmente não-praticante) e então acabo sempre me interessando por livros que tenham um assunto relacionado a fotografia. Já faz um tempo que eu estava de olho neste livro da Rocco, pois juntar fotografia + literatura é algo que parece tão diferente mas que é bem comum nas nossas vidas atualmente. O problema maior é que eu não estou tão habituada a ler livros de não-ficção e menos ainda um que seja como critica e analise de obras que eu não conheço (mas agora tenho a chance de tentar conhecer), então por mais que o livro seja curto e eu tenha lido em um dia ainda assim tive algumas dificuldades no entendimento (o que irá me fazer reler ele em algum momento, de preferencia apos eu dar uma conferida nos livros e autores citados pela autora neste livro).

silviane @ estilhaçando livros

A autora nos mostra uma relação entre a fotografia e a literatura principalmente após os anos 50. No quanto as imagens podem passar uma impressão abstrata sobre a obra ou que elas possam ser, de fato, documental. Bom, a fotografia em si lá no seu inicio era vista como algo documental, estando muito longe da arte como foi sendo inserida ao longo dos anos; mesmo durante meus anos na faculdade eu nunca compreendi (ou talvez a melhor palavra seja percebi) como que a fotografia foi passando a ser considerada como arte, mas como dificilmente uma manifestação artística vem sozinha conseguir ver ajuda que a literatura dei para a fotografia e que ao após o passar do tempo até mesmo a fotografia foi ajudando a literatura.
A fotografia não "redime" a realidade, mas inventa realidade.

Achei interessante a ideia desses autores (dos livros citados) usarem fotografias para ilustrar suas historias de forma... abstrata. A autora conta com detalhes como as imagens são usadas em cada livro, mas faz uma grande diferença não ter esses livros em mãos para poder ler e ver (mesmo usando o Google nunca é a mesma coisa) e ver se eu concordo com o que ela disse ou não (porque são assuntos que podem gerar um bom debate).

Outro ponto de que gostei bastante do livro é a forma como a autora coloca a fotografia como sendo algo real e irreal ao mesmo tempo. Exemplificando: a fotografia pode ser aquilo que se vê ou pode significar algo mais. Não é exatamente abstrato, mas mais uma coisa de interpretação. Ela é o que é, mas pode ser mais, entende? E por isso que os autores dos livros citados usam fotografias para ilustrar suas obras, mas não somente fotografias como elas são e sim uma forma representativa dela não deixando tão obvio sua relação com a obra mas sim fazendo seus leitores interpretarem o que ela é ou pode ser.
Toda fotografia é, sempre, ambas as coisas. Um passado e um presente. 

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